quarta-feira, 29 de abril de 2015
O Beijo das Divas
O beijo das divas
Fernanda Montenegro e Natalia Timberg protagonizaram um beijo cheio de carinho, mas que está dando o que falar. Personagens da novela globesca – Babilônia -, elas encaram mais um desafio, cientes da reação de uma camada da sociedade que precisa aprender a lidar com a autenticidade das relações.
Beijo na boca sempre é uma manifestação que pode implicar amor ou simplesmente sexo (exceto nos países em que faz parte do cumprimento). Isso não é da nossa conta. O que pode acontecer é o beijo ser em público, o que demonstra pouca noção de privacidade. Afinal, há coisas que são íntimas, não precisamos expor à curiosidade alheia e às críticas ácidas.
É lindo ver um casal trocando carinho, mas é constrangedor assistir a atos muito íntimos. É como se estivéssemos devassando a vida do outro, fazendo papel da “janela indiscreta” (filmão de 1954, com James Stewart e Grace Kelly) .
A polêmica toda é porque o beijo das divas tem caráter homossexual, o que escandaliza parte de espectadores que, refestelados em seus sofás, junto com a miudagem (como dizem os portugueses), não quer “essas coisas” nas suas casas. Ora, não quer, basta apertar um botão, mudar de canal ou desligar a tevê. Ou estabelecer limites para a criançada – lugar de pirralhos não é em frente à telinha, assistindo à novela de gente grande. É no meio dos brinquedos, da boa leitura, da lição de casa, dos amigos. E mais: o lugar deles deveria ser, também, longe dos jogos e filmes violentos.
A opção sexual é personalíssima. Não nos cabe meter a colher. Merece respeito, mesmo sem aceitação. Aliás, toda opção, fruto do livre arbítrio, tem que ser respeitada. O piloto que, segundo conclusão das investigações, jogou o avião contra os Alpes franceses, a fim de dar cabo da vida, exerceu a liberdade de escolha, que deve ser acatada. Entretanto, não era seu direito levar à morte todos os tripulantes e passageiros que, claro, nada tinham a ver com a atitude suicida dele. Entra aí, com plena justificativa, nossa indignação e nosso lamento, ante de uma mente doentia e solitária, capaz de tamanha barbaridade.
Àqueles que não têm respeito pela preferência alheia, é bom enfatizar que, dentro da própria família, podem existir questões de homossexualidade, às quais não devemos dar as costas, sob pena de se constituírem mundos à parte, na mesma casa, ou até de vidas serem perdidas, devido ao preconceito, à incompreensão e à intolerância.
Ao que parece, as divas Fernanda e Natália querem dar arremate às respectivas carreiras, dizendo, triunfalmente: “Protagonizamos de tudo, sem perder nossa dignidade.”
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Publicação Extranews - 8/4/15
Briga de Foice
Briga de foice
Se há algo irritante é tentar, quinhentas vezes, sem sucesso, abrir alguma coisa de que se necessite com urgência, como uma garrafa d’água geladinha, quando se está morto de sede. As benditas tampas da maioria das embalagens de hoje desafiam todas as leis da força. “É questão de jeito” – palpite infeliz. E o desajeitado como faz?
Há tempos, escrevi sobre a dificuldade de abrir saquinhos plásticos e outras coisas mais. E nada mudou. Entra ano sai ano e latas, garrafas, sacos, tubos, papel higiênico, tudo continua a debochar da nossa paciência, ou melhor, dos nossos dedos.
Dia destes, fui abrir uma latinha de Coca e quebrei aquela linguinha que deve ser puxada com o maior cuidado, para não dar banho nos outros. Precisei pedir ajuda a um amigo, envergonhada pelos dedos desastrados. Cometo o mesmo pecado, com lata de sardinha – a linguinha quebra; então tenho que me valer do abridor, melecando a mão no óleo “cheiroso”... Dependendo da hora, olho bem pra lata e a devolvo ao armário. Aliás, faço isso com muita coisa que, já sei, vai provocar meu mau-jeito.
E rolha das garrafas de vinho? Você põe um vinho branco seco para gelar, enquanto assa um peixe no capricho. O peixe pronto, o cheirinho a lhe provocar água na boca, você pega o vinho já gelado e o saca-rolha. Tenho um que adoro, pois não exige tanto esforço e ainda garante a rolha sã e salva, para depois vedar a sobra do vinho. Um porém – a rolha deve ser de boa qualidade, caso contrário esfarela ou fica encalhada no saca-rolha. Aí entra o desafio. Outro dia, topei com uma rolha fajuta, mas consegui tirá-la bonitinha. Só que não conseguia retirá-la do saca-rolha. Apoie-o na pia, espetei uma faca na rolha, para dar firmeza à operação, nada! Por fim, imaginem que cena mais ridícula e desajuizada: segurei a rolha com meus dentes, com a ponta do saca-rolhas “encarando-me”, fui girando o bendito, até que saquei a malandra. Já pensaram eu arrebentar a boca com um saca-rolha? Que explicação daria no Pronto Socorro desta terrinha? Aliás, com a boca arrebentada, não poderia explicar nada.
Tenho bronca de garrafa “pet”. Quando peço uma água já me vitimizo:”Por favor, abre pra mim?” O nó é quando não tenho pra quem pedir. Tarde destas me bateu uma vontade doida de Coca com limão. É raríssimo ter refrigerante em casa, mas havia sobrado algum do meu niver. Animei-me, cortei “meu” limão, peguei uma Coca geladinha, hermeticamente fechada. “Força nessa mão, Maria Inês!” Nem com pano nem sem pano, a porcaria da tampa se mexia. “Melhor pôr de volta na geladeira, a meninada toma quando vier por aqui.” Não, não ia desistir. Deitei a garrafa na mesa de cirurgia (ops, na pia), com “boca” virada para a parede (banho de coca, jamais!), e simplesmente serrei a bendita tampa, até que cedesse. Quando percebi o barulhinho do ar saindo, ah, que vitória. Com a ponta da faca fiz o resto da operação “abre pet”. E matei minha vontade e sede, sem vergonha de ser feliz.
Agora, pergunto ao paciente leitor que, talvez, ache que desperdicei este espaço com bobagens: “Neste mundo de conflitos terríveis, desde guerras a terremotos, passando pelas balas perdidas que fazem vítimas a toda hora, é cabível ter que guerrear com coisinhas mal projetadas, para usufruir uma mera sardinha, uma bebida ou coisa assim?”
Cada um se vira como pode. É tragicômica essa briga de foice, mas fazer o quê?
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Publicação Extranews, 29/4/15
quarta-feira, 25 de março de 2015
A ficha ainda não caiu (Extranews: 25/3/2015)
A ficha ainda não caiu
Expressão que vive no cotidiano, quando há morte por causa não natural, como violência, suicídio, acidente, “a ficha ainda não caiu”, dita por um familiar ou amigo próximo do morto, significa que a realidade ainda não foi digerida, assimilada.
Mas será que, referir-se desse modo à perda irreparável, não é banalizá-la demais? Se bem que, hoje, é comum a notícia de morte estúpida ser veiculada, discretamente, como se sua importância fosse nenhuma. Afinal, é “só” mais alguém que se vai. Só morre quem, está vivo, não é? Depois de certo alarido e especulações, a vida continua. A tragédia vai pra gaveta, a solidariedade escasseia e ponto final. O mesmo acontece com boa parcela dos inquéritos e processos decorrentes desses casos.
Semana passada, fiquei muito triste com o suicídio de três jovens, por enforcamento – um, em São João da Boa Vista, e os outros, em cidades vizinhas. Com a vida toda em aberto, por que fugiram dela? Insegurança, desamor, drogas ou, como se levantou a hipótese, influência de algum jogo virtual? Seja lá o que for, é extremamente grave a perda de botões mal desabrochados. A comunidade (fala-se tanto nela!) deveria mobilizar-se, para prevenir vidas ceifadas assim. Talvez falte diálogo nas famílias, talvez a atenção esteja desviado para o afã de acumular bens materiais, em detrimento de cultivar confiança e amor entre pais e filhos. Não sei.
A propósito, um funcionário do cemitério desta terrinha desabafa: “Falta vara de marmelo pra essa criançada. Hoje, ninguém pode com os filhos: trancam-se no quarto, com as telinhas, fazendo sabe-se deus o quê, e ninguém tira eles de lá. Dá nisso! No meu tempo, a vara de marmelo funcionava em casa e na escola. Hoje, é a professora que não presta, a escola que é ruim. Qualquer coisa é Conselho Tutelar! Tem que baixar a maioridade penal para 12 anos; fez coisa errada, vai pra cadeia e pronto!”
A coisa está feia: uns jovens tiram a própria vida, outros, perdem-na bestamente. Há dias, a Folha de São Paulo, trouxe notícia escondida no Cotidiano: uma idosa sentada à porta e um garoto que empinava pipa foram vítimas de balsa perdidas, numa zona do Rio, onde há conflitos diários entre traficantes e policiais. Fatos como esse se tornaram “arroz com feijão”, mal são notícia na imprensa e na TV, pois não vendem jornal nem vitaminam Ibope.
Por outro lado, é estranho que condenados à morte causem manifestações diversas, tanto nas pessoas como nos meios de comunicação: o fato de um brasileiro estar à espera de execução na Indonésia merece destaque frequente, nos jornais e nas conversas. Em compensação, mortos por bala perdida podem se multiplicar, que mal atraem repórteres ou cutucam a consciência alheia. Já a execução de um brasileiro sempre é manchete, pois retrata a impotência política, diante da soberania de outro país.
Em qualquer morte trágica, é comum repórteres idiotizados indagarem às pessoas enlutadas: “Como se sente, diante da perda de x?” E lá vem a resposta: ”A ficha ainda não caiu.” Na verdade, a indagação é imprópria, pois óbvio que vidas perdidas causam muita dor; não menos imprópria a resposta. Há dores que nenhuma palavra explica.
Que a ficha não caia, quando se obtém reprovação no vestibular ou se perde o voo, tudo bem. Mas, em relação ao vazio e à dor deixados pela morte, a expressão é infeliz.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Colírio para as mulheres (Extranews de 11/3/15)
Colírio pras mulheres
A sessão de hidro está animada. Conversas cruzadas, risos entremeados com o comando da fessora, ou melhor, da fisioterapeuta sorridente, mas enérgica na medida certa. Quando a turma pensa que a profissional simpática e eficiente está noutro planeta, lá vem ela:
_ Dona Maricota, já fez pra trás, pra frente, abriu pros lados?
Essas chamadas dão um breque geral no papo, logo retomado:
_ Ué, o “colírio” não veio hoje, por quê? Quando ele vem, isso aqui é festa...
_ Colírio? Que história é essa? Me contem – pede uma madurona atenta.
_ Ah, sabe aquele cidadão assim e assado, seu fulano? Pois dona Zita fala que ele é um “colírio” pros olhos dela – explica a fisio, aproveitando que, naquele dia, só há mulheres fazendo hidro.
Fantasia, não tem idade. Nenhum jovem que ouvisse tal comentário acreditaria que aquelas brincalhonas ainda têm interesse e admiração pelo sexo oposto e que, nos próprios sonhos, fazem viagens incríveis. Que riem como mocinhas entusiasmadas, contando sobre o primeiro paquera, o primeiro namorico.
Para algumas cabeças estreitas, as meninas-velhas são assanhadas, retardadas e talvez contaminadas pelo “alemão” (esclerose já caiu em desuso). Esses eternos críticos de tudo e de todos nada entendem da alma feminina. São nulos em psicologia e em todas as ciências que explicam algo tão simples: mulher só envelhece por fora. Mulher, por dentro, é mulher a vida inteira, apenas mais seletiva. Seu coração tem paixão latente, seu cérebro é capaz de devaneios incríveis, seus desejos estão vivos, embora mais tranquilos.
A mulher de agora, bem mais informada e autoconfiante do que a do século passado, só não compreende muito bem os meninos-idosos de hoje. Questiona, por exemplo, qual o diálogo que rola entre um senhorzão e uma garota que poderia ser filha ou neta dele. Muita gente argumentará: “Você acha que eles querem saber de altos papos, querem discutir política, islamismo, família etc. com uma ‘gata”? Ah, como você é tola! Eles querem é outra coisa...” É assim: a mulher madura que cai na asneira de comentar esse descompasso de idade em inúmeros pares é debochada, tachada de preconceituosa, despeitada e outros adjetivos pesados. Mas que é uma doideira um cara de setenta com uma garota de vinte, isso é. Claro que gosto não se discute, respeita-se.
O mês de março chegou. O Dia da Mulher vem aí. Flores, pra ela! Uma lembrancinha, um cartão no capricho, uma surpresa, qualquer coisa simples a faz feliz. E não deve ser somente no dia 8 de março, porque todo santo dia é dia dela, seja ela casada,descasada, solteirona, mãe, avó, tia. Toda mulher tem uma pitada de Amélia: ela lava, passa, cozinha, limpa, faz dengos pra todo mundo, chamego pro marido, companheiro ou seja lá o que for, é voluntária, benemérita, catequista, profissional liberal, empregada dos outros e muito mais. É bom reforçar que todas encontram brecha para sonhar com um “colírio” que pinte por aí, em qualquer lugar: hidro, supermercado, telhado do vizinho, velório, teatro, sala de espera, filmes, novelas.
Uma certeza: ninguém e nada alterará este fato: mulher nasce e morre mulher, a menos que ela mude de ideia e queira ser “ele”. E viva ela!
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Senhoras e senhores bailarinos - publicação Extranews -18/3/15
Senhoras e senhores bailarinos
Diz-se que “a alma de bailarina é feita de poesia”, será? Penso nos antigos bailes, com nostalgia e vontade de ressuscitá-los, inová-los.
Era rico o tempo dos salões de mármore, com orquestras espetaculares e gente feliz a bailar. Era romântico o arrasta-pé na roça, com sanfona e viola caipira! Pena que essa maravilha já era. A realidade de hoje precisa de trato, para que a dança de salão, remédio para corpo e alma, não morra. Por ora, os bailes pedem socorro.
Os pés de valsa viraram o século, agarrados a um passado que incluía bailinho familiar, noite curta (às 23 horas, todo mundo em casa), meninas com irmão ou primo a tiracolo, até ganharem certa autonomia, após o debút. Já os garotos faziam tudo mais cedo, eram os “tais” e pegavam no nosso pé o tempo todo.
Bailes de gente grande só após os dezoito anos. Quantos suspiros pela vontade de estar neles! A pressa era muita, não se sabia que o tempo voa e os cabelos branqueiam.
E cá estamos nos bailes da velha guarda, frequentados também por alguma moçada que curte samba, bolero, rancheira, salsa, valsa, forró e outras delicias. Só que esses bailes agonizam, por falta das brincadeiras que os animavam e atraiam vasto público.
De uma das brincadeiras, guardo passagem memorável: num baile, foi anunciado que as damas escolheriam seu par. Minha cabeça fez uma seleção relâmpago. Determinada a tirar um pé de valsa nota dez, mal dado o sinal para o inicio da dança, saí feito um raio na direção do eleito. Na verdade, não confiava no meu potencial; achei que perderia a corrida para outras damas, já que o sujeito era muito requisitado. Pois, acreditem, fui a primeirona. Pena que essa inovação morreu na praia. E outras danças mais bem sucedidas também foram pro brejo. A das damas segurando uma rosa ou sombrinha, que passavam para outras damas, desfazendo os pares, era ótima. Quando a música acabava, a dama que sobrasse com a flor ou a sombrinha na mão teria que encarar, sozinha, um frevo. A dança do sino era uma pândega: pares em roda imensa, com um sineiro no centro. A orquestra tocava, com interrupções abruptas, para troca de pares, na sequência da roda. Nessa dança, havia um cavalheiro que, ao topar comigo, dizia: “Lá vem o breque!”. Isso porque o tal gostava de “agarrar”; então, eu lhe dava um chega pra lá, fincando o dedão esquerdo no ombro dele. Essa dança era divertida, pois quem bobeasse na troca, sobrava; mas também deixava a gente ansiosa, pela expectativa de dançar com alguém predileto. Numa cidade mineira, era famosa a dança da vassoura: no fim da música, o cavaleiro que ficasse com a vassoura na mão, pagava multa. Os sovinas voavam pelo salão, trocando vassoura por dama que mal escolhiam.
Época formidável! Todo baile acabava com gosto de quero mais...
Ao desenterrar “causos” que provocam tanta saudade, dou-lhes uma dica:
_ Retomem essas brincadeiras, senhoras e senhores bailarinos!
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sábado, 28 de fevereiro de 2015
O cidadão e a Câmara Municipal
O cidadão e a Câmara Municipal
Para os brasileiros, 2015 começa agora. Foram-se as férias, a correria para matriculas e compra de material escolar, a dor de cabeça com IPVA.Outros “Is” logo chegam, Foram-se o carnaval e a ressaca. Fica o saldo da gastança. Agora é entrar nos trilhos e bom trabalho, antes que o ano acabe e não se tenha saído do lugar.
E como tudo tem que andar, as câmaras municipais também retomam as sessões semanais. Aqui na terrinha, às segundas-feiras, os vereadores se reúnem para a sessão ordinária, como representantes do povo. Mas cadê o povo? Um pulo à prefeitura local, lá pelas 19h30, justifica minha indagação. Apenas uns gatos pingados no auditório.
Nas ruas, reclamações de cidadãos chovem o tempo todo. Dedo em riste, acusam os edis de nada fazerem em prol do bem comum. Fofocas sobre eles correm a cidade, multiplicadas, distorcidas, levianas. Será que essa atitude tem a ver com cidadania?
Cidadania é sinônimo de direitos e deveres; ex.: todo individuo tem direito à saúde, mas tem o dever de manter a moradia dele em condições que não favoreçam a procriação do aedes aegypti, conhecido como o mosquito-da-dengue. Os cuidados devem ser permanentes, para o bem do próprio indivíduo, de sua família e da comunidade em que vive.
Num regime democrático, são inúmeros os direitos e deveres do cidadão que exigem exercício e reivindicação, em nome da cidadania. No campo político, ser eleitor e votar não basta. É preciso muito mais do que choramingar no ombro de um vereador amigo, a fim de obter “favores”. O eleitor deve esmiuçar o perfil do candidato em quem pretender investir o voto. Se seu candidato for eleito, é preciso acompanhar, com lupa, seu desempenho na defesa dos interesses públicos. Para isso, o comparecimento às sessões da câmara municipal é imprescindível. Verificar o comparecimento e a atuação do vereador junto a seus pares, observar os assuntos em discussão, os deferimentos ou indeferimentos etc. é comportamento esperado de todo eleitor que pretenda exigir o retorno positivo do voto.
A meu ver, o sujeito que vota e se acomoda deveria ter a decência/coerência de ficar de boca fechada, sem nada reclamar. É cabível comportar-se como o aluno que não acompanha as aulas e, depois, rouba o tempo do professor, com perguntas indevidas, em prejuízo dos colegas? É justo alunos aplicados não tirarem dúvidas, por culpa de um “vagau”?
Fica, neste espaço, uma sugestão: cada bairro organize um grupo de eleitores que, em rodízio, compareçam sistematicamente às sessões do legislativo e anotem os temas em pauta, bem como se inscrevam, para apresentar reivindicações, em nome da comunidade, exercendo, ainda, o direito de cobrança das promessas feitas em campanha e de outras assumidas em plenário.
Afinal, “não se pode deixar barato” o valor do nosso voto.
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Fev./15
Publicação EXTRANEWS de 28/2/15
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Vida longa ao Extranews
Vida longa ao Extranews
Todo mundo tem suas fraquezas. Uma das tantas que carrego é o medo de mudanças. Só que, com tantos anos no lombo, devo ter aprendido algumas lições. Uma delas é que mudanças são companheiras inseparáveis da vida, sejam elas quais forem.
Às vezes me questiono se esse medo tem a ver com a profissão de meu saudoso pai – bancário – e as transferências que forçavam a família a frequentes mudanças de casa: ora residíamos em Santos, ora, em São Paulo. Por isso, um dos meus irmãos era paulistano. E mudança de casa puxa mil mudanças, como a de escola, outro medo meu.
Evidentemente que esse vaivém nos levou a morar de todo jeito, às vezes bem, outras nem tanto. Em São Paulo, por exemplo, moramos num sobradinho simpático, mas sombrio, o que obrigava a secar roupas a ferro (memórias de menina, aos 4 anos). Em Santos, vivemos algum tempo num sobradão perto da praia, do qual já falei aqui, mas também moramos num apartamento na rua Sete de Setembro, região do Mercado Municipal (Bacia do Macuco), onde o cheiro de peixe impregnava tudo. O apartamento ficava em cima da agência em que papai era gerente. Tínhamos isenção de aluguel. Essa vantagem permitiu que a família numerosa tivesse vida razoável, materialmente, mas não restou saudade daquele cheiro de peixe “24 horas” e da rua mal frequentada, devido à proximidade com o cais.
Mas deixemos de lado as mudanças de casa e falemos de outras bem mais significativas: as causadas por perdas, ou melhor, pelas lambadas da vida. Para encará-las, sem que nos verguem, é preciso ter boa reserva de forças e fé.
E é em razão de perda irreparável que nasce o Extranews. Eu diria que nosso combativo Bolinha canalizou sua dor, transformando-a em algo positivo, não só para ele, mas para toda a comunidade sanjoanense: um tabloide abrangente, colorido, moderno e, o melhor, grátis. Sei que chegar ao Extranews exigiu esforço hercúleo, sob todos os prismas. Mas estou certa de que o passo de gigante dado pelo nosso comandante provoca o inesquecível sorriso de quem tanto o amou e o quer em constante evolução. Porque amar é querer o bem do outro, para sempre e além desta passagem meteórica.
Assim, tenho orgulho de participar desta nova empreitada e o melhor, sem receio da mudança. O novo, quando traz ganhos evidentes, é um incentivo para o aprimoramento da criatividade.
Como colunista do “Cotidiano” desde 2006, inauguro a nona pasta com minhas colaborações, agora sob o título deste novo semanário. Vida longa ao Extranews!
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21/2/2015
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